O que seria a felicidade? Cada dia vemos pessoas falando as mais variadas ideias e sonhos sobre o que é felicidade. Para alguns a felicidade é dinheiro, correm contra o tempo trabalhando, estudam freneticamente para conseguir um emprego, pagam cursos, trabalham 35 anos em média para depois ter descanso, jogam no bingo, jogam na loteria, apostam, roubam, e isso me lembra Weber criticando o avarento Benjamin e suas dicas para multiplicá-lo. Em outro ponto vemos Thomas Jefferson citar na Declaração da Independência Americana que todos tem o Direito à felicidade. E que felicidade seria essa? Liberdade?
Epicuro dizia que a felicidade é prejudicada pelo comércio, pelo apelo que esse meio faz às pessoas para que comprem os produtos para preencher, talvez, um vazio. Para ele, a busca reside na simplicidade, em uma vida simples, no suficiente para viver. Para o filósofo, era necessário apenas estar com os amigos o tempo inteiro, inclusive citando que nunca deve-se fazer uma refeição sem companhia, pois isso seria para cães e lobos. Ainda afirma que a pessoa pode ceder ao luxo em ocasiões especiais, mas enfatiza que não é necessário consumir desesperadamente para isso.
Vendo essa ideologia da simplicidade e observando os tempos modernos, vemos que a mídia influencia, de fato, uma falsa felicidade nas pessoas. Fazem ligações de bebida e amigos, ou de festas pomposas e carros velozes. Muita gente tenta buscar a felicidade no status, pois é assim que a sociedade aceita as pessoas, pelo que fazem, pelo que vestem, pelo que gostam, pela religião, pelo o que a maioria deseja ver. Caso você não vive de acordo com o ritmo do consumismo, sempre gastando mais para preencher vazios, você será cada vez mais considerado marginal, no sentido estrito daquele que fica à margem.
Em outro caso, algumas igrejas aderiram a esse espírito capitalista através da reforma protestante, e a burguesia viu aí um espaço atraente em âmbito religioso, no caso em questão, na Alemanha, onde burgueses tinham interesse em barganhar terras da Igreja Católica e conseguiram isso através da reforma. Isso já mencionado por Weber, e é o que temos hoje ainda, algumas igrejas com doutrinas que incitam a busca da prosperidade, uma visão totalmente distorcida do que é felicidade, onde traduz que felicidade é ter abundância em recursos, mais do que se necessita para viver, contrariando Epicuro, e ainda mais, contrariando o próprio mestre do cristianismo, Jesus, o qual tinha uma ideologia simplista onde era contra a usura, e, como já dito, foi com isso que surgiu no século XVI a igreja protestante, pois o cenário era mais complicado para a burguesia, e a Igreja tinha um poder e patrimônio gigantesco, e com uma nova doutrina, basilada no capitalismo e travestida no evangelho, fora criada uma ilusão através dos séculos de que a felicidade é individual e consiste na aquisição de bens em detrimento dos outros.
Em uma sociedade cada vez mais doente, vemos os valores invertidos por questões culturais, ninguém questiona como suas ideologias surgiram, e na ânsia da busca da felicidade aceitam qualquer caminho, seja através das religiões, da mídia e das demais instituições com base no capital. Como disse Jefferson, todos tem direito à busca pela felicidade, mas porém, olvidou de mencionar, ou fazer notar, que poucos sabem do que se trata. No capitalismo, onde a felicidade se baseia no consumismo, a felicidade reside na pequena parcela do topo da pirâmide, e a maior parte corre freneticamente desde que dão o primeiro passo em uma escola, para tentar alcançar tal objetivo. Logo então, não existe a correta socialização da qualidade de vida, então não existe, no modelo atual, socialização da felicidade, a felicidade é uma linha tênue que só se faz real, para a maioria, fora desses sistemas individualistas.
